BAILE DE CRENTE

 

“Baile de crente” é uma tentativa de recuperação da liberdade que a consciência religiosa roubou.

A dança existe em todas as culturas e povos do mundo. Até os animais dançam, principalmente quando se atraem para o acasalamento, com verdadeiro show de cores e movimentos.

Mas durante muito tempo o crente achou que essa era uma expressão “livre demais” para a sua reputação pseudo-santa.

Saiba-se, no entanto, que a atual tendência a se recuperar tal liberdade não é algo que vem de uma iniciativa divina, como muitos afirmam. Há quem diga que “Deus tem chamado seu povo a dançar pra si em louvores e adoração, mostrando ao mundo a nossa alegria...”.

Porém, a proposta de trazer de volta a dança para a vida social do crente, tem se mostrado tão insana quanto a tradicional rejeição.

Por quê?

Simplesmente porque a proposta não é feita sob a luz plena. Disfarces e dissimulações são usados para dar vazão ao desejo da carne. Se esse desejo fosse saciado com pureza e transparência, em nada seria condenável. Mas por causa da hipocrisia e dissimulação, a coisa toda ganha um aspecto pecaminoso e tenebroso. Afinal, não há nada que nos impeça de dançar.  Mesmo se Davi não tivesse dançado, mesmo se o salmista não convidasse a celebrar com danças, e mesmo que Jesus não tivesse dito que quando um pecador se arrepende há festa no céu, dançar é inerente à nossa vida emocional e instintiva. Portanto, se tivermos motivo para dançar, dancemos! Dancemos por festa, por alegria, por gratidão, para namorar... Porque não?

Mas, não há essa transparência na proposta do “baile de crente”. “Baile de crente” sempre tem que carregar um “marketing devocional” ou uma “estratégia evangelística” para que os crentes cínicos possam dar vazão ao interesse carnal que clama pela liberdade de dançar.

Nesse sentido, peca menos quem freqüenta “matinês” decentes, pois não adultera aquilo que é de Deus a fim de ter lucro próprio.

Como os vendilhões do templo, que não vendiam banana, caqui ou espinafre. Não. Eles não eram feirantes comuns. Eles vendiam pombas, ovelhas e todo fornecimento que os Israelitas precisavam para a sua atividade espiritual, dando a eles a oportunidade de facilitar suas vidas, não precisando carregar o animal do sacrifício de casa para o templo de Jerusalém. Havia quem pensasse que aqueles vendilhões eram irmãos dedicados e chamados por Deus para abençoar a vida dos freqüentadores do templo com seu “ministério de venda”. Mas quando Jesus ali chegou, viu diante de seus olhos a configuração de um pecado horrível! Não havia mal algum em ser “vendedor”, se eles saíssem pelo mundo e fossem viver uma carreira de sucesso. A profissão de vendedor é digna e admirável.

 Mas “vendedor de templo”, é algo abominável diante de Jesus, justamente pelo que eu disse acima. O sujeito adultera aquilo que é de Deus, usando como disfarce uma proposta bonita, produtiva e que supostamente servirá para a glória de Deus e auxílio ao próximo, almejando na verdade algum lucro escuso e mesquinho.

Esse tipo de projeto será alvo de azorrague e viradas de mesa!

Por isso, se você quer ser vendedor, seja. Mas, ser vendedor de “coisas para o templo” jamais!

Se você quiser fazer bailes para bailar, faça!  

Mas “Bailes de templo” é coisa insana, de gente que ainda não conheceu o amor de Deus, o verdadeiro temor do Senhor e o poder do Evangelho de Jesus.

 

E note: Baile de crente ou Praia de crente tem muito mais impureza, lascívia, julgamentos e doenças na alma do que os bailes e praias normais. Crente vai ao baile ou à praia com olhos e coração cheios de bichos horríveis.

Por isso, Jesus preferia andar com pecadores e publicanos do que com Religiosos fariseus cheios de pompa, reputação e fazedores de orações eloqüentes soberbas.

Por isso, que se façam bailes em casa, no condomínio, ou em qualquer outro lugar onde pessoas queiram viver na luz, mesmo que a produção do evento seja em um ambiente escuro com luzinhas piscando. Pois viver na luz é se apresentar diante de Deus totalmente exposto e transparente.

Esses bailes podem acontecer até mesmo nas dependências de uma igreja, mas que se vença a tentação de fazer bailes de crente, por favor! Que sejam apenas bailes, e assim Jesus se fará presente discretamente, com toda honra. E poderá haver até milagres!

Mas vendas de templo ou bailes de crente são eventos muito arriscados de se fazer, pois é o tipo de evento onde Jesus também comparece, para jogar tudo pros ares e distribuir açoites inconformados.

A relação que aquele que vive o Evangelho deve ter com a sociedade onde vive, é semelhante à relação que o sal tem com a comida, ou seja: o sal se confunde com a comida até ao ponto de desaparecer e não haver como fazer distinção “a olho nu” entre o que é sal e o que é comida.

É nesse momento que aparece o gosto de um prato saboroso!

Baile de crente? Baile do mundo? Besteira!

Que haja apenas baile, pra que a nossa luz e o nosso gosto apareça, e assim o Senhor será glorificado, e o mundo crerá que Ele enviou Jesus para habitar entre nós, cheio de Graça e Verdade.

Quem teria coragem de se entregar e ser um com o mundo?

Mas saiba: foi isso que Jesus fez ao nascer da virgem. Tornou-se Filho de Homem, por você e por mim.

Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus!

Vós sois o sal da Terra!

 

Em Cristo, que não viveu com usurpação o ser igual a Deus.

 

Marcello Cunha