ADORANDO OS DISCOS DE ADORAÇÃO

 

Me lembro quando começaram a surgir os primeiros discos de Adoração Comunitária ao vivo. Era algo maravilhoso registrar o culto espontâneo da igreja em momento de louvor e adoração.

 

Se me lembro bem, um dos primeiros disco que ouvi foi o disco da Comunidade da Graça-SP, com o Pastor Adhemar de Campos cantando "O nosso General é Cristo" e "Ele´é o Leão da Tribo de Judá".

 

É claro que eu me refiro a discos ao vivo.

 

Porque antes disso já me deliciava com as músicas do Asaph Borba, trazendo uma safra inesquecível de cânticos congregacionais, renovando o velho hinário das igrejas.

 

E antes do Asaph, já me extasiava com grupos com Logos, MILAD, Vencedores por Cristo e tantos outros.

 

Mas do advento do disco de louvor ao vivo pra cá, algo se alterou na forma como as pessoas chegam para render louvor à Deus nos cultos.

 

Disco de louvor ao vivo é maravilhoso. E com toda a produção que o envolve fica sedutor, temático, excitantíssimo, cobiçável.

 

A forma como uma música segue a outra e o "povo é levado a adorar" faz com que um disco de louvor ao vivo seja um show e tanto!

 

Ah! Se apenas fosse isso!

 

Ah! Se um disco de louvor ao vivo servisse apenas como um registro daquilo que acontece dentro da igreja...

 

Ah! Se fosse apenas o testemunho de algo que é...

 

Mas não é.

 

Disco de adoração ao vivo se tornou um referencial, um projeto, uma meta, algo que se almeja, um tipo de "santo mediador", uma fôrma, um roteiro a seguir, um fator discipulador de performances.

 

Me lembro que quando eu era pequeno, via filmes como "Karatê Kid" ou "Rambo" ou "Homem de um milhão de dólares"...

 

Ao final, eu ficava vidrado e seduzido por aquela identidade e aquele poder.

 

Ora, eu era uma criança, com todo potencial de imaginação e criatividade.

 

Eu acabava de ver um filme de Karatê e queria aprender Karatê e me apossar daquela identidade sedutora, que fazia um rapaz franzino e tímido brilhar!

 

Eu via um filme de ficção científica e queria ser cientista, pesquisador de novas fórmulas e conseguir descobrir poderes extra-humanos!

 

O que eu quero dizer com isso?

 

Quero dizer que, após ouvir um disco de adoração dos milhares e milhares que surgem hoje em dia -  e todos irritantemente iguais e modelados por um padrão de unção dominadora - a alma fica seduzida por todo aquele brilho, produção, poder, identidade!

 

Se essa doença alcança a alma de um crente, ele vem pra adorar a Deus em Comunidade com um disco de louvor ao vivo, rodando na sua cabeça!

 

Tudo o que ele faz remete ao disco de adoração ao vivo. Vou usar a sigla DAV pra "disco de adoração ao vivo". Então:

 

- Ele inicia o momento de louvor remetendo-se ao DAV

- Ele bate palma remetendo-se ao DAV

- Ele grita: Aleluia! remetendo-se ao DAV

- Ele se vê congregado diante de instrumentistas e "ministros de louvor" remetendo-se ao DAV

- Ele aplaude ao final de uma música, remetendo-se ao DAV

- Ele mede a performance de si mesmo e da igreja usando como referencial o DAV

- Ele espera de si mesmo e dos que estão à sua volta os mesmos vícios de linguagem, postura e performance, conforme o DAV

 

Enfim, ele adora o DAV!!!

 

Meninas que adoram a Deus hoje em dia nas igrejas, enquanto dizem adorar a Deus, estão cheias de "Ana Paula Valadão" no altar da mente!!!

 

Rapazes que dirigem louvor nas igrejas, enquanto dizem adorar a Deus, estão abarrotados de David Quinlam na cachola!!!

 

Porque eles adoram Ana Paula Valadão e David Quinlam!

 

Hoje em dia, um "grupo de louvor" que grava um disco em estúdio, pode ser visto até com algum preconceito porque "sacrifica a espontaneidade" e a participação de toda a igreja! Que coisa!

 

O DAV não é mais apenas um testemunho da igreja.

 

A igreja se tornou testemunha do DAV!

 

O DAV deixou de ser efeito e se tornou a causa!

 

Já ouvi de pessoas ligadas à música na igreja, frases como essa: "Igreja tal já tá cantando tal disco! A gente não pode ficar pra trás!"

 

Nem a moda secular se compara aos modismos que subjugam a igreja!

 

No mundo secular, o discernimento que tem reinado é o da diversidade. Ninguém quer ser mais "bonequinho de chumbo".

 

Cada um quer se vestir e se portar com características próprias.

 

As palavras chave tem sido: Customização. Personalidade.

 

Repare que a palavra chave não é criatividade, e sim personalidade.

 

Craitividade tem até de sobra no meio evangélico. A mente viaja!

 

Mas personalidade é algo natural, espontâneo, verdadeiro, livre.

 

O meio evangélico está longe de saber o que é isso.

 

O meio evangélico vive por processos industriais, produção em massa e produção de massas!

 

Enquanto condenam a igreja católica, os evangélicos enchem seus templos e corações de toda sorte de ídolos e "coisas santas".

 

A seriedade que isso envolve vem da seguinte coisa:

 

Esse é o habitat natural do Anti-cristo. Aquele que vem com toda aparência de Cristo, mas com uma essência totalmente demoníaca.

 

 

À essa multidão de "adoradores" eu pergunto: Por qual nome vocês são chamados?

 

E ouço a resposta:

 

"Meu nome é Legião. Porque somos muitos. Porque você nos atormenta tanto?"

 

Pode-se dizer a esses, o mesmo que Paulo disse aos Romanos, no capítulo 1 da sua carta: "Esses homens mudaram a glória de Deus, adorando a criatura ao invés do criador que é bendito eternamente. Amém. (assim seja/assim deve ser) E por terem rejeitado o conhecimento de Deus, Deus os entregou aos seus sentimentos depravados e paixões infames, pra que provem todo tipo de engano ..."

 

Que todo disco de adoração ao vivo seja mentiroso, e Deus verdadeiro.

 

 

Em Cristo, que envia para a manada de porcos aqueles que não têm sua própria identidade, insistindo em se chamarem "legião" e vivendo da posse da identidade dos outros.

 

 

Marcello